Manaus – Uma recente decisão judicial acerca da pesquisa AM-03377/2026, realizada pelo Instituto Veritá Ltda, causou agitação no cenário político do Amazonas. Essa pesquisa, que foi divulgada no final de abril, colocava a empresária e pré-candidata Maria do Carmo Seffair (PL) como a principal concorrente ao governo do estado nas eleições de 2026, levando à suspensão da divulgação por parte da Justiça Eleitoral.
A decisão liminar atendeu a um pedido do Partido Social Democrático (PSD), que tem como líder o senador Omar Aziz, também pré-candidato ao governo. A juíza Maria Auxiliadora Benigno, responsável pelo caso, indicou falhas técnicas significativas no levantamento, o que gerou debates intensos nos bastidores políticos.
Falhas Técnicas e Questionamentos na Pesquisa
A principal crítica apresentada pelo PSD refere-se à amostragem e a forma como as entrevistas foram conduzidas. De acordo com o relatório, 62% da amostra continha dados duplicados, gerando indícios de possível replicação artificial das informações. Essa duplicação foi considerada estatisticamente inviável para uma pesquisa legítima.
Além dos dados duplicados, outros pontos críticos foram destacados:
- Incompatibilidade nas datas: O registro indicava que a coleta de dados ocorreu entre 23 e 28 de abril de 2026, embora não houvesse entrevistas registradas no primeiro dia.
- Falta de auditoria: O instituto alegou que 20% das entrevistas foram auditadas, mas não apresentava números de contato para confirmação.
- Contradições metodológicas: A pesquisa apresentava incoerências na escolha dos entrevistados, misturando critérios probabilísticos com não probabilísticos.
Como consequência da decisão, uma multa diária de R$ 10 mil foi estabelecida em caso de descumprimento da suspensão. O caso também será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral e ao Conselho Regional de Estatística para apuração das responsabilidades.
Conexão da Juíza com o PSD Aumenta as Controvérsias
A decisão da juíza Maria Auxiliadora Benigno levantou dúvidas sobre sua imparcialidade, tendo em vista seu histórico profissional. Antes de ser juiz no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), Maria atuou como advogada em campanhas do PSD e recebeu R$ 200 mil por serviços prestados à campanha de reeleição de Omar Aziz em 2022. Essas informações foram amplamente discutidas, gerando críticas e questionamentos sobre a sua capacidade de julgar imparcialmente um caso que envolve um partido com o qual tem vínculos.
Impactos na Pré-Campanha e na Competição Política
A pesquisa do Instituto Veritá apresentava um cenário em constante mudança para as eleições de 2026. Com Maria do Carmo Seffair na liderança, Omar Aziz e outros candidatos, como o ex-prefeito David Almeida (Avante) e o atual governador Roberto Cidade (União Brasil), ocupavam posições posteriores na disputa. O papel da pesquisa se tornava crucial para moldar a estratégia dos candidatos e influenciar a percepção pública.
A liminar do TRE-AM, ainda que temporária, não apenas interrompe a divulgação dos dados, mas também afeta diretamente as estratégias de campanha, uma vez que fornece uma vantagem competitiva àqueles que tiverem uma pesquisa favorável. A continuidade da discussão legal e a eventual validação ou não das informações apresentadas pelo Instituto Veritá ainda estão por vir. Isso poderá alterar significativamente o ambiente político pré-eleitoral no Amazonas.
A Justiça Eleitoral deve, em breve, decidir sobre a validade da pesquisa e suas repercussões, o que pode refletir nas campanhas e no futuro político do estado. Jornalistas e analistas políticos continuarão a acompanhar de perto essa situação, que segue em evolução e pode ter consequências duradouras conforme as eleições se aproximam.

