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André Mendonça desabafo no STF: ‘Não tenho medo da morte’

André Mendonça desabafo no STF: 'Não tenho medo da morte'

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi protagonista de uma intensa troca de farpas com o colega Gilmar Mendes em uma sessão da Segunda Turma, no dia 16 de outubro. Durante a discussão, Mendonça, que é o relator das investigações do escândalo do Banco Master, expressou um desabafo sobre as pressões que vem enfrentando, revelando detalhes das manobras da defesa de investigados e reafirmando seu compromisso com a independência judicial.

A reação de Mendonça refletiu a seriedade da situação, destacando que não cederá a intimidações ou estratagemas legais. Sua firme postura foi um ponto central na sessão, onde ele deixou claro que está determinado a seguir com as investigações sem interferências externas.

A Delação Seletiva em Debate

O cerne do desabafo de Mendonça foi a revelação de uma tentativa de negociação feita pelos advogados de Daniel Vorcaro, uma figura-chave nas investigações. O ministro narrou que a defesa sugeriu um acordo de “delação seletiva”, o que ele prontamente rejeitou.

“Me chega uma proposta por um advogado… Perderam o pudor, ministro Gilmar”, exclamou Mendonça. “‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram isso na minha cara. Eu disse: ‘Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva comigo não’.” Essa atitude consolidou sua posição firme em relação à manipulação do processo legal.

Além disso, o relator esclareceu que não fez questão de acessar os termos da proposta para evitar qualquer invalidade futura no processo, alertando sobre possíveis setores que buscam criar vícios na investigação. “Estou acompanhando os movimentos”, enfatizou.

Coragem em Tempos Difíceis

No meio da acalorada discussão, Mendonça teve um embate direto com Gilmar Mendes, que anteriormente havia sugerido que é preciso coragem para exercer a função de ministro da Suprema Corte. O relator do caso Master tomou a palavra com firmeza diante das pressões.

“Não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal. Não tenho medo de combater o crime aplicando a lei. Não tenho medo de absolver quem é inocente”, declarou Mendonça, ressaltando que ele pode ser o “polo mais frágil” na luta para manter as investigações, mas está decidido a não recuar.

Além disso, ele se distanciou da imagem de “juiz celebridade”, afirmando que sua atuação é pautada por critérios técnicos e não por pressões midiáticas: “Sou um servidor público e não ajo por pressão da mídia, nem busco ser estrela”.

O Uso de Prisões Preventivas

Outro aspecto notório de sua fala foi a crítica que Mendonça fez ao uso de prisões preventivas como método para extrair confissões. Essa prática, que já foi alvo de contundentes críticas por parte de Gilmar Mendes em outros contextos, foi abordada com cautela por Mendonça.

“Não se prende para delação. Não dormiria tranquilo se fizesse isso. Seria abjeto”, declarou o relator. Ele afirmou que decreta prisões apenas para evitar obstruções ao trabalho da Justiça ou ocultação de provas, aproveitando para lembrar que levou quatro anos até expedir seu primeiro mandado de prisão.

Porém, Mendonça fez questão de deixar claro que as investigações do caso Master ainda prometem importantes desdobramentos. Ele revelou ter determinado a quebra dos dados do iCloud de uma pessoa ligada ao caso, conhecida como “Sicário”, que cometeu suicídio enquanto estava sob custódia.

“Vamos ver o que virá de lá, o que deixou armado o Sicário. Eu não sei”, alertou o ministro, insinuando que as investigações estão longe de chegar ao fim.

Encerrando seu pronunciamento, André Mendonça reafirmou seu compromisso em garantir que a investigação siga seu curso natural, sem permitir tentativas de desacreditar a atuação do STF ou dos investigadores. “Faço questão de publicar minhas decisões. É uma forma de a sociedade criticá-las”, concluiu, solidificando sua posição como um defensor da justiça no cenário atual.

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