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PMs que mataram jovem de 19 anos na Alvorada se escondem após depoimento

PMs que mataram jovem de 19 anos na Alvorada se escondem após depoimento

Manaus — Na manhã desta quarta-feira (22/4), o 3º sargento Belmiro Wellington Costa Xavier e o soldado Hudson Marcelo Vilela de Campos deixaram a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) sob um clima de forte tensão. Após prestarem depoimento sobre a morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, os militares utilizaram toalhas e as próprias camisas para cobrir os rostos, esquivando-se de qualquer contato com a imprensa e recusando-se a responder aos questionamentos sobre o crime.

A saída conturbada da delegacia ocorre em um momento crítico para os investigados. O que antes era tratado sob a versão de um acidente de trânsito, agora é formalmente encarado como uma execução com graves indícios de fraude processual.

Reviravolta e Prisão Preventiva

A liberdade provisória que havia sido concedida inicialmente aos policiais foi revogada pelo juiz plantonista Alcides Carvalho Vieira Filho. A decisão atendeu a um parecer contundente do Ministério Público do Amazonas (MPAM), assinado pela promotora Adriana Monteiro Espinheira, que apontou crimes de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e falso testemunho.

O MPAM destacou que a versão apresentada pelos policiais — de que o jovem teria morrido ao colidir a motocicleta contra uma calçada após uma perseguição no bairro Alvorada — foi desmentida por provas técnicas e audiovisuais.

Provas Contradizem a Versão Militar

De acordo com o laudo necroscópico, Carlos André não morreu em decorrência da queda, mas sim por um disparo de arma de fogo com trajetória frontal, que transfixou ambos os pulmões. Vídeos que circularam nas redes sociais após o ocorrido foram fundamentais para confrontar o depoimento dos agentes.


“A materialidade delitiva encontra-se devidamente comprovada… pelos vídeos que registraram a ação, os quais contradizem a versão inicialmente apresentada pelos investigados”, destacou o parecer do MPAM.

Além da contradição sobre a causa da morte, o sargento Belmiro teria negado inicialmente ter efetuado disparos, retificando sua fala apenas após a confirmação do óbito da vítima. Para o Ministério Público, essa mudança de postura “fragiliza a credibilidade e indica tentativa de ocultação da verdade”.

Risco à Instrução Criminal

A manutenção da prisão preventiva foi considerada indispensável para garantir a ordem pública e evitar a interferência nas investigações. Por serem agentes do Estado, o Judiciário entendeu que os policiais possuem meios concretos de influenciar testemunhas e destruir provas caso permaneçam em liberdade.

O caso segue sob investigação da DEHS, enquanto a sociedade manauara clama por justiça diante de um crime que, nas palavras da promotoria, revela “elevada gravidade concreta com possível uso excessivo da força letal contra vítima aparentemente rendida”.

Veja vídeo:

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