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Escândalo em Roraima: Delegado desvia ética na polícia local

Escândalo em Roraima: Delegado desvia ética na polícia local

O cenário da segurança pública em Roraima passou por um abalo significativo nesta semana. O delegado da Polícia Civil, Rick da Silva e Silva, foi oficialmente afastado de suas funções por determinação judicial. A decisão do juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho estabelece um hiato de 180 dias em sua carreira, baseado em denúncias alarmantes que revelam uma gestão problemática na delegacia de Rorainópolis.

As investigações da Operação Conluio indicam que o delegado não apenas falhou ao cumprir a lei, mas teria convertido a unidade policial em uma espécie de empresa privada voltada para o lucro ilícito.

Esquema de Corrupção

O núcleo da investigação aponta para um conluio entre o delegado e uma advogada específica. O modus operandi era direto e vantajoso para ambos:

Direcionamento de Clientes: Rick selecionava detentos, dificultando o acesso à Defensoria Pública.

Venda de Liberdade: Os prisioneiros eram encaminhados exclusivamente para a advogada parceira.

Divisão de Lucros: Os honorários recebidos eram divididos entre o delegado e a defensora. Testemunhas confirmaram pagamentos em dinheiro vivo.

Acusações de Homicídio

Além das questões envolvendo a corrupção administrativa, Rick da Silva e Silva enfrenta uma acusação ainda mais grave: o suposto envolvimento no assassinato dos empresários Edgar Silva Pereira e Rossana de Lima e Silva. As autoridades investigam se o delegado teria tomado ações para sabotar a cena do crime, ocultando provas. O motivo pode estar relacionado a uma conexão financeira, uma vez que Rick tinha dívidas ou negócios com uma das vítimas, que supostamente estava envolvida em atividades de agiotagem.

Intimidação e Medidas Restritivas

O dossiê da Operação Conluio, conduzida pelo Gaeco (MPRR) e pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH), revela que o delegado mantinha seu esquema sob um ambiente de medo. Relatos sugerem que ele usava seu cargo para ameaçar outros profissionais, prometendo forjar dossiês e interceptações telefônicas falsas contra aqueles que se atrevessem a denunciá-lo. Para garantir a eficácia de suas ações, sistemas policiais eram manipulados para relaxar prisões em flagrante mediante pagamento de propinas e “apagar” investigações desconfortáveis.

Com o afastamento, que se estende até outubro de 2026, Rick da Silva e Silva enfrenta sanções severas, incluindo:

Apreensão imediata de armas e distintivos.

Bloqueio total de acesso aos sistemas de dados policiais.

Proibição de contato com testemunhas do caso.

Impedimento de entrar em delegacias dentro do estado.

O caso permanece sob segredo de justiça enquanto o Ministério Público continua a análise dos materiais apreendidos durante a operação deflagrada em abril.

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