Na manhã desta quinta-feira (21/5), a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa em Alphaville, Grande São Paulo. A prisão ocorreu durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvido com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Esta ação marca um desdobramento significativo nas investigações que vêm sendo conduzidas desde 2019.
A Operação Vérnix e Seus Alvos
A Operação Vérnix cumpre seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Entre os principais alvos estão Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção criminosa, além de familiares próximos, como seu irmão Alejandro Camacho e dois sobrinhos. A ação também resultou na prisão de Everton de Souza, identificado como “Player”, que é suspeito de operar as finanças do grupo.
Esquema de Lavagem de Dinheiro
As investigações revelaram um esquema complexo que utilizava empresas e intermediários para movimentar recursos ligados ao PCC. A polícia identificou que uma transportadora de cargas localizada em Presidente Venceslau estaria servindo como uma fonte para a lavagem de dinheiro da família de Marcola.
Além disso, a análise de transações financeiras apontou que Deolane teria recebido depósitos suspeitos entre 2018 e 2021. Esses depósitos somam quase R$ 700 mil, provenientes de transferências, algumas das quais seriam atribuídas a um suposto “laranja” da Bahia, que recebe um salário mínimo.
Consequências e Bloqueios Judiciais
O Ministério Público declarou que os valores recebidos por Deolane não foram formalmente declarados, levando a Justiça a determinar o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas relacionadas à influenciadora. Além disso, 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, foram apreendidos durante a operação.
Os bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça chegam a mais de R$ 357 milhões. A operação seguiu ordens de busca em vários imóveis relacionados aos investigados, incluindo propriedades vinculadas a Deolane em Barueri. A investigação também procura influenciadores e contadores que possam ter conexão com o esquema.
Contexto das Investigações
As origens da investigação remontam a 2019, quando documentos e bilhetes relacionados a detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau foram apreendidos. Esses materiais continham informações que revelaram ordens e movimentações financeiras da facção criminosa.
A incidência das investigações e a introdução do nome de Deolane na lista de Difusão Vermelha da Interpol destaca a gravidade da situação. Ela havia retornado recentemente de Roma, na Itália, quando foi presa, sublinhando o alcance internacional do caso.
As operações seguem para desmantelar a estrutura financeira que sustenta o PCC, e a prisão de figuras influentes como Deolane Bezerra pode ser um passo significativo nesse processo. A continuidade das investigações poderá trazer mais descobertas sobre os mecanismos de lavagem de dinheiro e as conexões entre os membros da facção.

