A influenciadora digital Elizabeth Melo, conhecida nas redes sociais como Beth Melo, está no centro da Operação Sorte Falseada, realizada pela Polícia Civil do Tocantins. Essa operação investiga plataformas ilegais de jogos de azar e potenciais crimes de lavagem de dinheiro. Durante a investigação, foi descoberto que Elizabeth teria movimentado cerca de R$ 3,5 milhões em um período de um ano, enquanto sua renda mensal declarada era de apenas R$ 5 mil.
Investigações e Movimentações Financeiras
A investigação da polícia revelou que a influenciadora utilizava suas redes sociais para promover um jogo conhecido como “jogo do tigrinho”, atraindo apostadores com promessas de ganhos financeiros elevados. O caso ganhou notoriedade após o cruzamento de dados financeiros e denúncias anônimas.
Os investigadores destacam que o estilo de vida de Elizabeth Melo, incluindo viagens internacionais para destinos luxuosos como Dubai, Maldivas, Paris, Londres e Las Vegas, além da aquisição de bens de alto valor, não condiz com a renda que ela declarava. Esses sinais exteriores de riqueza levantaram suspeitas entre as autoridades.
Uso de Empresas de Fachada
Além das evidências sobre seu padrão de vida, o relatório da polícia também mencionou o uso de empresas de fachada e técnicas de movimentação financeira fracionada, conhecidas como smurfing. Essa estratégia é utilizada para dificultar o rastreamento de valores que possuem origem duvidosa.
Durante a operação, a Justiça tomou medidas cautelares, incluindo o bloqueio de até R$ 3,4 milhões em ativos financeiros e o sequestro de bens, como um apartamento em Palmas, uma caminhonete e uma motocicleta elétrica. Também foram apreendidos grandes quantias em espécie, cartões bancários e documentos em locais relacionados à influenciadora.
Ameaças e Intimidações
A investigação também está analisando possíveis ameaças feitas a seguidores que questionaram ou denunciaram as plataformas de jogo promovidas por Elizabeth. Há relatos de intimidações nas redes sociais, expandindo o alcance da investigação.
No entanto, após a operação, Elizabeth Melo publicou um vídeo em suas redes sociais onde afirmou estar ciente da investigação, mas negou qualquer prática irregular e afirmou que não foi condenada. Ela comentou que os agentes se comportaram de maneira educada durante a execução da ordem judicial.
“É sobre os jogos de azar sim, tá? É investigação, não sou condenada. Estiveram aqui, me trataram super bem… Eu estou aqui para contribuir com a justiça e com essa investigação”, declarou a influenciadora.
Elizabeth também abordou a questão do seu patrimônio, afirmando que todos os seus bens estão registrados em seu nome e negou a ocultação de qualquer ativo. Ela enfatizou que sempre conduziu seus negócios de maneira regular e está colaborando com as autoridades.
No vídeo, ela ainda desmentiu informações que circularam nas redes sociais sobre a operação. “Se alguém disser que chegaram derrubando portão ou me tratando mal, é mentira”, afirmou.
Além disso, ela comentou sobre a suspensão de seu perfil nas redes sociais, alegando que tal medida não foi consequência da operação policial, e que já está tomando as devidas providências legais para reverter essa situação.
A Polícia Civil continua as investigações para determinar a extensão do suposto esquema e identificar outros possíveis envolvidos. O caso de Elizabeth Melo ilustra os desafios enfrentados pelas autoridades no combate a atividades financeiras ilícitas e jogos de azar no Brasil.

