Manaus – A saúde pública no Amazonas enfrenta um grave estado de deterioração. Enquanto médicos da rede pública estadual mantêm seus atendimentos motivados por um compromisso ético, a gestão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), sob a liderança de Luís Saraiva, tem sido alvo de críticas severas.
Em uma manifestação pública impactante, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CREMAM) e o Sindicato dos Médicos do Amazonas (SIMEAM) trouxeram à tona os problemas que afligem o sistema de saúde local: atrasos significativos nos pagamentos de salários, honorários, plantões e sobreavisos, além de preocupações acerca das condições de trabalho.
Impactos da Gestão Precária na Saúde
A nota divulgada pelo CREMAM e SIMEAM, com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Médica Brasileira (FMB), aponta a falha contínua no planejamento da saúde pública no Amazonas. Os atrasos nos pagamentos não são apenas um problema financeiro; se transformam em uma ameaça concreta à assistência à saúde da população.
Os representantes alertam que a falta de remuneração pode levar a instabilidade nas escalas de trabalho, formando um círculo vicioso que prejudica a continuidade segura da assistência médica. É inadmissível que profissionais que salvam vidas não recebam seus salários em dia e desenvolvam suas funções em ambientes inadequados.
Ação das Entidades Médicas
Com o cenário de inércia por parte da administração, as entidades médicas afirmaram que não ficarão mais limitadas a apenas relatar esses problemas. O CREMAM indicou que iniciará procedimentos administrativos rigorosos para responsabilizar gestores e empresas terceirizadas.
Além disso, o SIMEAM está articulando medidas jurídicas para combater a precarização das condições de trabalho dos médicos na região. Essas ações visam proteger os profissionais da saúde que, devido a uma má gestão, enfrentam graves dificuldades.
Clamor por Intervenção dos Órgãos de Controle
Diante da gravidade da situação, tanto o CREMAM quanto o SIMEAM solicitaram o envolvimento imediato dos órgãos de controle e fiscalização, como o Ministério Público do Estado (MPE), o Tribunal de Contas (TCE), a Defensoria Pública e a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). O apelo é para que essas instituições auditam e fiscalizem as causas dos atrasos e da falta de recursos na gestão pública.
A mensagem das entidades de classe é clara: a saúde pública no Amazonas não pode continuar a sofrer as consequências de uma gestão desorganizada. A dignidade dos profissionais médicos e, consequentemente, a saúde da população dependem de uma resposta ágil e efetiva dos gestores públicos.
Se as autoridades não agirem rapidamente, todos os esforços dos profissionais de saúde, que atuam diariamente enfrentando desafios imensos, estarão comprometidos. A luta por uma saúde pública digna e eficaz é imprescindível para garantir que os cidadãos do Amazonas tenham acesso a atendimento de qualidade.
A revolta dos médicos contra essa situação insustentável se reflete em suas reivindicações por melhores condições de trabalho e pagamento justo. Essa batalha não é apenas uma reivindicação da classe médica, mas uma exigência da sociedade, que clama por uma saúde pública eficiente e bem estruturada.

