Manaus – A paixão por motocicletas não é apenas um hobby, mas também um fenômeno econômico que permeia o cotidiano dos amazonenses. Nesse contexto, é crucial entender quem realmente está dominando as linhas de montagem na Zona Franca de Manaus. O último relatório da Abraciclo (edição 2025) traz insights valiosos sobre como o mercado de motos está se transformando nos últimos anos, mostrando se o histórico domínio da Honda está sendo contestado por novas fabricantes.
A produção de motocicletas em Manaus
O Polo de Duas Rodas da Zona Franca terminou 2024 com uma produção robusta de 1.748.317 motocicletas. Esse número representa um crescimento considerável em relação às 961 mil unidades produzidas em 2020. Contudo, ao observar os dados, nota-se uma mudança significativa na concentração de mercado, que está se diversificando.
Redução da participação da Honda
A Honda, que sempre foi a líder incontestável do setor, viu sua participação de mercado reduzir de 78,8% em 2020 para 75,1% em 2024. Apesar de aumentar sua produção para mais de 1,3 milhão de motos, o mercado se expandiu ainda mais rapidamente, permitindo que concorrentes conquistassem espaço. Essa diminuição de 3,7 pontos percentuais equivale a cerca de 61 mil motocicletas que agora são produzidas por outras marcas instaladas no Polo Industrial de Manaus.
Avanço das novas marcas e tendências
A principal empresa a se beneficiar dessa redistribuição foi a Yamaha, que subiu de 16,7% para 19,8% de market share no mesmo período. Agora, a cada cinco motos produzidas, uma é da Yamaha, refletindo a crescente busca do consumidor por alternativas nas faixas de baixa e média cilindrada. Outros players, como a indiana Bajaj, também começaram a se destacar, com 0,7% do mercado já em sua estreia. Além disso, a Triumph teve um aumento considerável, dobrando sua participação de 0,4% para 0,8%. Essa diversificação demostra que o mercado está se tornando menos concentrado e mais inclusivo, atendendo diferentes perfis de consumidores.
Apesar de toda essa expansão, a maioria das motos produzidas continua a ser de baixa cilindrada, representando 78,1% da produção total. A categoria Street, voltada para o uso urbano diário, lidera com 855 mil unidades, seguidas pela Trail, com quase 345 mil unidades, evidenciando a constante demanda por veículos que oferecem versatilidade e economia.
Portanto, a análise do mercado de motocicletas na Zona Franca de Manaus revela não apenas um crescimento em números absolutos, mas também uma mudança nas dinâmicas competitivas, onde novas marcas estão começando a estar presentes no cenário e a preferências dos consumidores estão em constante evolução.

