Estudantes de Parintins recorrem à Justiça pela equidade no SIS

Estudantes de Parintins recorrem à Justiça pela equidade no SIS

A alteração nas regras de distribuição de vagas do Sistema de Ingresso Seriado (SIS) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) gerou grande controvérsia e descontentamento entre estudantes do interior do Amazonas. Seis jovens recorreram à Justiça para contestar as mudanças, que impactaram diretamente sua trajetória acadêmica. Esses estudantes já haviam completado duas das três etapas do processo seletivo e agora se veem diante de uma nova realidade que pode mudar suas esperanças de ingresso na universidade.

Desafio na Competição por Vagas

O principal ponto de discórdia é o fim do Grupo K, voltado especificamente para estudantes do interior. No SIS 2026, para ingresso em 2027, as vagas que anteriormente eram asseguradas para esse grupo foram eliminadas. Essa mudança decorreu de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional a reserva de vagas com base na procedência regional. Os estudantes não contestam a decisão do STF, mas pedem uma transição justa, considerando o tempo e a dedicação que já investiram.
A estudante Ágatha Marialva, de 17 anos, é um claro exemplo dessa angústia. Com 36 pontos no SIS 1 e 30 no SIS 2, com um total acumulado de 66 pontos, ela se preparou nos dois anos anteriores com base nas condições do antigo formato. “Foi um baque muito grande para mim. A gente passou dois anos se preparando e, quando chega a hora da última prova, a regra muda”, conta.

Expectativas e Realidade dos Estudantes do Interior

As condições de preparação para estudantes do interior são consideravelmente diferentes das de seus colegas nas capitais. Theranna Goes, de 18 anos, que almeja um lugar no curso de Direito, expressou a frustração com a alteração das regras. “Um aluno de interior, escola pública, não consegue ter as mesmas vantagens de um estudante da capital”, enfatiza, destacando a força de vontade e dedicação dos estudantes que enfrentam essas adversidades. “Competir em igualdade de condições era o justo, era assim que a gente se preparava”.

De acordo com Maria Lenilda Glória Ferreira, proprietária do Curso Preparatório Antônio Neres em Parintins, os estudantes que constatam um esforço significativo se deparam agora com uma frustração genuína. Ela observa que a realidade dos alunos do interior não deve ser ignorada, e os desafios que enfrentam no acesso à educação de qualidade precisam ser considerados.

Ação Judicial e O Que Está em Jogo

Os estudantes estão sendo representados pelo Escritório Philippe Dantas e Advogados Associados, que protocolaram os Mandados de Segurança aguardando análise. A solicitação é simples: garantir que os esforços dos alunos não sejam desconsiderados devido à mudança de regras no momento mais crítico do processo seletivo. Eles pedem que as notas e etapas já realizadas sejam preservadas e que a última prova seja realizada normalmente.

A advogada Luiza Anoeza destaca que não se busca contrariar a decisão do STF, mas sim garantir os direitos dos estudantes que já haviam avançado no processo. “Buscamos uma regra de transição justa e proporcional, respeitando a segurança jurídica e a confiança legítima dos alunos”, explica.

O debate gira em torno de questões de proporcionalidade e a necessidade de uma transição que considere os dois anos já percorridos por esses estudantes. Todos estão focados em proteger suas trajetórias e realizar seus sonhos de forma justa, em um sistema que não deve ser abruptamente alterado no seu momento final.
Enquanto as decisões da Justiça não são tomadas, a incerteza paira sobre o futuro dos estudantes do interior do Amazonas, que esperam por um desfecho favorável que permita suas aspirações acadêmicas serem atendidas.

Motorista é preso após bater carro em poste e causar acidente

Motorista é preso após bater carro em poste e causar acidente

Incêndio de grandes proporções atinge Parque 10 e preocupa moradores

Incêndio de grandes proporções atinge Parque 10 e preocupa moradores