A operação de desarticulação de lavagem de dinheiro das facções em Rio e São Paulo foi deflagrada por autoridades no dia 15 de setembro de 2023.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) se uniram para combater um esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024. O dinheiro proveniente da venda de drogas ilícitas estava sendo lavado por organizações como o Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Operação Hawala
A Operação Hawala envolveu a execução de mandados de prisão e busca em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu (PR). O MPRJ denunciou 22 pessoas, e dez mandados de prisão foram expedidos pela Justiça. Até a manhã do dia da operação, oito suspeitos foram capturados.
A investigação teve início após a descoberta de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a um grupo criminoso no Complexo de São Carlos, no centro do Rio de Janeiro. Esse grupo estava associado ao TCP, mas as investigações logo ampliaram o foco para outras facções criminosas, incluindo o CV e o PCC.
Esquema Complexo de Lavagem de Dinheiro
As autoridades descobriram que empresas de fachada operavam em múltiplos estados, criando uma falsa legitimidade para o dinheiro obtido de forma ilegal através do tráfico de drogas, de receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. O modus operandi incluía o uso de empresas recém-criadas, depósitos fracionados, laranjas e a cooptação de contadores, entre outras manobras para ocultar a verdadeira origem dos recursos.
Os investigadores analisaram centenas de transações bancárias e verificaram que as movimentações financeiras de diversas empresas ligadas aos denunciados eram muito superiores à capacidade financeira de seus proprietários. Essa discrepância levantou bandeiras vermelhas sobre o verdadeiro uso daquele capital.
Vínculos com o Terrorismo Internacional
A investigação agora também busca compreender se o esquema de lavagem de dinheiro estava sendo utilizado para financiar organizações internacionais acusadas de terrorismo. Uma das pistas reveladas durante as apurações mostrou uma conexão entre um dos investigados e um indivíduo que está sob sanções do governo dos Estados Unidos, supostamente por integrar uma estrutura de financiamento da Al-Qaeda.
A Polícia Civil agora se concentra em explorar mais profundamente o suposto vínculo entre o esquema de lavagem de dinheiro das facções no Brasil e o financiamento do terrorismo internacional. Essa nova camada da investigação demonstra a complexidade e a abrangência do problema, que vai além das fronteiras nacionais.
Assim, a Operação Hawala não é apenas um passo para desarticular facções criminosas no Brasil, mas também pode ter implicações significativas em nível global, ao lidar com a questão do financiamento do terrorismo.









